II Fórum Estadual de Gestão Condominial inicia em Itapema uma trilha por Santa Catarina
Dos desafios humanos aos ativos complexos: a gestão condominial também está em evolução
O primeiro Fórum Estadual de Gestão Condominial colocou as pessoas no centro do debate. Relações, convivência, responsabilidades, liderança e tomada de decisão mostraram que nenhum condomínio funciona adequadamente sem pessoas preparadas para administrar interesses, enfrentar conflitos e construir soluções coletivas.
Esse fundamento permanece.

No entanto, à medida que os edifícios evoluem em altura, tecnologia, valor e complexidade, também aumentam as responsabilidades de quem os administra. Ao mesmo tempo, condomínios construídos em outros períodos precisam atualizar estruturas, instalações e equipamentos para continuar seguros, funcionais e valorizados.
Por isso, o II Fórum Estadual de Gestão Condominial amplia a discussão: das pessoas que fazem a gestão para os ativos que elas precisam operar, proteger, modernizar e preservar.
Patrimônio, Engenharia, Segurança e Futuro dos Condomínios
Santa Catarina vive uma transformação imobiliária que já pode ser percebida na paisagem, na valorização dos imóveis e na sofisticação dos empreendimentos.
Balneário Camboriú e Itapema tornaram-se referências nacionais em verticalização, engenharia e construção de edifícios de grande altura e elevado valor patrimonial. Florianópolis reúne condomínios sofisticados, inovação, sustentabilidade e novas demandas urbanas. Joinville acrescenta a esse cenário sua cultura de eficiência, tecnologia, governança e gestão profissional.
Essa transformação, porém, não envolve apenas os novos empreendimentos.
O estado também possui um amplo patrimônio condominial construído em outros períodos. São edifícios que continuam fazendo parte da vida e da paisagem das cidades, mas cujos sistemas, instalações e estruturas precisam ser avaliados diante das exigências atuais de segurança, desempenho, acessibilidade, eficiência, conectividade e uso.
São realidades diferentes, conectadas por uma mesma questão:
Como preparar as pessoas, os processos e a gestão para operar os novos empreendimentos e atualizar, com responsabilidade, os condomínios já existentes?
Um condomínio contemporâneo não é apenas um espaço compartilhado por moradores. É um sistema formado por estruturas, equipamentos, contratos, dados, profissionais, fornecedores, riscos e responsabilidades que precisam funcionar de maneira integrada.
Nos novos empreendimentos, a entrega das chaves encerra uma etapa da construção e inicia outra igualmente decisiva: a operação permanente do condomínio.
A partir daquele momento, começa o desafio de preservar o patrimônio, manter o desempenho dos sistemas, garantir a segurança, organizar contratos, acompanhar garantias, planejar investimentos e sustentar o valor do ativo ao longo do tempo.
Nos condomínios antigos, o desafio assume outra forma: identificar o que precisa ser modernizado, estabelecer prioridades e criar condições técnicas, financeiras e coletivas para realizar as intervenções necessárias.
Novos ativos e condomínios que precisam ser atualizados
Os empreendimentos novos chegam ao mercado com sistemas cada vez mais sofisticados. Entretanto, a operação desses ativos exige documentação adequada, treinamento, planejamento, fornecedores qualificados e uma transição bem estruturada entre quem constrói e quem passa a administrar.
Quem projeta e constrói detém o conhecimento técnico do empreendimento. Quem administra passa a conviver diariamente com seus sistemas, exigências e riscos.
Quando essas partes não estão suficientemente conectadas, informações podem se perder, responsabilidades podem permanecer indefinidas e decisões importantes podem ser adiadas. As consequências podem aparecer na segurança, nos custos, no desempenho dos equipamentos, na preservação das garantias e no valor do patrimônio.
Nos condomínios antigos, preservar o patrimônio frequentemente exige mais do que manutenção rotineira.
Instalações elétricas e hidráulicas, elevadores, fachadas, impermeabilização, sistemas de prevenção e combate a incêndio, acessibilidade, conectividade, controle de acesso e eficiência energética podem já não responder adequadamente às necessidades atuais.
Nesses casos, torna-se necessário discutir diagnóstico, adequação, modernização e retrofit.
Retrofit não significa apenas substituir equipamentos ou atualizar a aparência do edifício. Significa rever sistemas e estruturas para que o condomínio continue seguro, funcional, eficiente, valorizado e preparado para novas formas de viver.
Essa decisão, porém, costuma encontrar obstáculos técnicos, financeiros e coletivos. É preciso definir prioridades, apresentar diagnósticos confiáveis, organizar investimentos e construir entendimento entre os condôminos antes que a defasagem se transforme em risco, perda patrimonial ou emergência.
Uma nova responsabilidade para a sindicatura
Quanto mais complexo é o edifício, maior precisa ser a capacidade de gestão.
Elevadores de alta performance, sistemas de prevenção e combate a incêndio, geradores, automação, controle de acesso, fachadas, pressurização, climatização, piscinas, infraestrutura para veículos elétricos e grandes áreas de lazer já fazem parte da realidade de muitos condomínios.
A esses elementos somam-se os efeitos da maresia, os eventos climáticos, a proteção de dados, as locações de curta duração, a população flutuante, as garantias construtivas e as expectativas de moradores que adquiriram imóveis de elevado valor.
Nos condomínios mais antigos, a sindicatura também precisa conduzir decisões relacionadas ao envelhecimento predial, à obsolescência dos sistemas, às adequações técnicas e ao financiamento de intervenções que nem sempre podem ser adiadas.
Nesse contexto, a atuação do síndico vai além da administração das despesas, do cumprimento de rotinas e da mediação de conflitos.
O síndico passa a exercer um papel estratégico na proteção do ativo, na prevenção de riscos e na continuidade da operação. Isso exige planejamento, conhecimento técnico, indicadores, orçamento de longo prazo, fornecedores qualificados e responsabilidades claramente definidas.
Mas essa responsabilidade não pode ser analisada isoladamente.
Síndicos e administradoras recebem documentação, treinamento e informações compatíveis com os sistemas que passarão a administrar? Existem processos claros para acompanhar garantias, manutenções e responsabilidades? Os condomínios antigos possuem diagnósticos e planejamento para suas necessidades de modernização? Os condôminos compreendem o custo real de preservar e atualizar o patrimônio que adquiriram?
Essas perguntas não procuram estabelecer culpados. Elas revelam a necessidade de integrar profissionais e organizações que participam de diferentes momentos da vida do empreendimento.
A manutenção precisa deixar de ser apenas resposta ao problema e integrar o planejamento. A segurança não pode se limitar à regularidade documental. A tecnologia precisa estar vinculada à governança. O retrofit precisa ser tratado como decisão de preservação patrimonial. E o orçamento deve refletir o custo real de manter o condomínio seguro, funcional e valorizado ao longo do tempo.
Um Fórum para provocar as conversas necessárias
O II Fórum Estadual de Gestão Condominial não pretende esgotar, em um único encontro, todos os desafios relacionados ao patrimônio, à engenharia, à segurança e ao futuro dos condomínios.
Seu primeiro papel é colocar as perguntas certas na mesa.
O encontro pretende aproximar síndicos, administradoras, engenheiros, construtoras, incorporadoras, especialistas e empresas técnicas que, embora façam parte do mesmo ecossistema, muitas vezes analisam os problemas a partir de lugares diferentes.
Mais do que uma sequência de exposições técnicas, o Fórum nasce como provocador de debates: um espaço para identificar distâncias, compartilhar experiências, reconhecer responsabilidades e construir uma agenda de continuidade.
A questão central não é determinar se a gestão condominial está parada. Ela não está.
A questão é compreender como sua evolução pode acompanhar duas transformações simultâneas: a chegada de empreendimentos cada vez mais complexos e a necessidade de modernizar o patrimônio condominial já construído.
Uma trilha estadual de conhecimento e conexão
É a partir dessa realidade que o II Fórum Estadual de Gestão Condominial inicia uma trilha por Santa Catarina.
A primeira etapa será realizada em Itapema, no dia 27 de agosto de 2026, reunindo síndicos, administradoras, engenheiros, construtoras, incorporadoras, especialistas e empresas técnicas.
Itapema é o ponto de partida natural dessa discussão. A verticalização, a valorização imobiliária e a complexidade dos novos empreendimentos convivem com condomínios que precisam planejar sua atualização. Essa realidade torna cada vez mais necessária a aproximação entre quem projeta, constrói, entrega, administra, moderniza e preserva esses ativos.
A trilha seguirá para Florianópolis, ampliando o debate sobre inovação, sustentabilidade, segurança, retrofit e novas formas de viver nas cidades.
Em Joinville, a agenda avançará sobre governança, tecnologia, eficiência operacional, profissionalização e gestão de desempenho.
Cada etapa partirá das características da sua região, sem perder o eixo comum: preparar a gestão condominial para receber os novos edifícios, atualizar os condomínios existentes e acompanhar as transformações das cidades catarinenses.
As conversas iniciadas em Itapema poderão avançar nas etapas seguintes, formando uma agenda estadual de conhecimento, integração e desenvolvimento da gestão condominial.
Das pessoas à proteção e à atualização do patrimônio
O II Fórum não abandona o fator humano abordado na primeira edição. Ao contrário: reforça sua importância.
Nenhuma tecnologia substitui a capacidade de decidir. Nenhum sistema produz resultado sem operação adequada. Nenhum retrofit acontece sem planejamento, entendimento e responsabilidade. Nenhum patrimônio é preservado sem pessoas preparadas.
O primeiro Fórum tratou das pessoas que fazem a gestão.
O segundo conecta essas pessoas aos ativos que precisam governar e preservar: tanto os novos empreendimentos, que exigem capacidade crescente de operação, quanto os condomínios antigos, que precisam ser atualizados para permanecer seguros, funcionais e valorizados.
Os edifícios evoluíram. Os condomínios existentes continuam envelhecendo. As pessoas, os processos e a gestão também precisam evoluir.
O desafio agora é fazer com que essas evoluções caminhem juntas.
II Fórum Estadual de Gestão Condominial — Etapa Itapema
Data: 27 de agosto de 2026
Horário: das 8h30 às 16h
Local: Sede Regional do Sicredi Vale Litoral SC
Endereço: Rua 452, nº 81, esquina com a Marginal Oeste — Jardim Praia Mar, Itapema/SC
Realização: Academia Síndicos Planning | Inspiracom
Reserve a sua agenda para participar do início dessa trilha estadual.



















