Bianca Hennes: escuta ativa, organização e valores na gestão condominial

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No primeiro ano como síndica moradora do Condomínio Falcon Tower, Bianca Hennes reúne a experiência anterior como síndica profissional e uma convicção: ouvir com atenção é parte essencial de uma boa gestão.

Bianca Hennes, síndica moradora do Condomínio Falcon Tower Antes de assumir a gestão do Falcon Tower como moradora, Bianca já havia atuado como síndica profissional. Ela interrompeu essa atividade quando a advocacia passou a ocupar mais espaço em sua agenda. A sindicatura voltou à sua rotina sob outra perspectiva: a de quem também vive no condomínio que administra. Essa combinação entre experiência profissional anterior e a vivência cotidiana como moradora ajuda a explicar a forma como Bianca enxerga hoje a função.

Escutar para compreender antes de decidir

Ao falar sobre o maior aprendizado que a gestão condominial lhe trouxe, Bianca não começa por contratos, obras, finanças ou manutenção. Ela começa pelas pessoas. Para ela, é fundamental lidar com moradores e demais envolvidos de forma que se sintam ouvidos e compreendidos. Não porque toda demanda possa ou deva ser atendida, mas porque compreender corretamente o problema é uma etapa importante para buscar a melhor solução possível.
“Escuta ativa e olhar atento são fundamentais.”
No ambiente condominial, essa percepção ganha peso. Muitas situações chegam ao síndico carregadas de expectativas, emoções e interpretações diferentes sobre o mesmo fato. Antes de decidir, é preciso separar o problema real do ruído que se formou ao redor dele. Ouvir bem não significa concordar com tudo. Significa criar condições para decidir com mais informação, equilíbrio e clareza.

Quando o desafio não é técnico, mas humano

Bianca define de maneira direta um de seus maiores desafios na função: “contemporizar ânimos egóicos”. A expressão revela uma parte da gestão condominial que nem sempre aparece nos regulamentos, atas ou contratos, mas que ocupa espaço significativo na rotina do síndico. Condomínios são ambientes coletivos. Pessoas com histórias, prioridades, expectativas e formas diferentes de enxergar a convivência dividem o mesmo espaço e precisam construir decisões comuns. Nem sempre o conflito decorre de uma grande questão administrativa. Em muitos casos, ele nasce da maneira como cada pessoa reage ao limite, à divergência ou à necessidade de considerar o interesse coletivo. Nesse cenário, o síndico precisa exercer uma função de equilíbrio. Escutar, compreender, estabelecer limites e, quando necessário, sustentar decisões que não serão unanimidade. Para Bianca, o resultado desejado é conseguir conduzir esses processos sem perder de vista a satisfação de quem recebe o serviço da gestão.

Organização também é uma forma de liderança

A experiência de Bianca revela outro aspecto importante da sindicatura: cada profissional leva para a gestão características construídas ao longo da própria trajetória. No caso dela, três elementos aparecem de maneira muito clara: caráter, organização e valores. Não são conceitos colocados à margem da administração. Para Bianca, eles fazem parte da maneira como a própria gestão é realizada. Organização se traduz em método, acompanhamento e coerência. Valores aparecem na maneira de se posicionar diante das situações. E caráter se manifesta especialmente quando a decisão exige responsabilidade e não apenas conveniência. Essa é também uma das razões pelas quais ela afirma ter orgulho da função que desempenha.
“Tenho orgulho da função que desempenho, pois imprimo na administração meu caráter, minha organização e meus valores.”
A frase ajuda a mostrar que uma gestão condominial nunca é completamente impessoal. Processos e regras são essenciais, mas a forma como o síndico interpreta sua responsabilidade influencia diretamente a qualidade da administração.

Da sindicatura profissional à experiência como síndica moradora

A trajetória de Bianca também permite observar duas perspectivas diferentes da mesma função. Ela já experimentou a sindicatura profissional, em que a gestão é exercida como atividade contratada. Hoje vive o primeiro ano de mandato como síndica moradora do Falcon Tower. São posições diferentes, mas ambas exigem responsabilidade sobre decisões que afetam uma coletividade. Na condição de síndica moradora, existe ainda uma característica adicional: a pessoa que administra também participa diariamente da realidade que está sendo administrada. Os problemas não terminam quando o expediente acaba. As decisões afetam o ambiente em que o próprio síndico vive. Isso pode aumentar a proximidade com as demandas dos moradores, mas também torna ainda mais importante separar relações pessoais, expectativas individuais e responsabilidade administrativa.

Escuta não é ausência de firmeza

Há um ponto importante na forma como Bianca descreve sua experiência. Ao valorizar a escuta ativa, ela não apresenta uma gestão baseada apenas em conciliação. Seu próprio relato sobre o desafio de lidar com ânimos e interesses diferentes mostra que ouvir precisa caminhar junto com a capacidade de conduzir. Essa talvez seja uma das habilidades mais exigentes da sindicatura: construir uma gestão em que as pessoas tenham espaço para falar sem que a administração se torne refém de todas as opiniões individuais. O síndico precisa compreender para decidir — e decidir sabendo que nem toda decisão produzirá consenso. Nesse equilíbrio entre atenção e firmeza está uma parte importante da liderança condominial.

Uma trajetória que inspira outros síndicos

A trajetória de Bianca integra o projeto Sou Síndico com Muito Orgulho por mostrar como experiências pessoais e profissionais influenciam a maneira de administrar um condomínio. Sua principal mensagem é que escutar com atenção não enfraquece a liderança. Ao contrário: pode dar ao síndico melhores condições para tomar decisões responsáveis, inclusive quando não há consenso.

Sou Síndico com Muito Orgulho

O Sou Síndico com Muito Orgulho é um projeto do Síndicos Planning que há pelo menos sete anos registra e valoriza histórias de quem vive diariamente os desafios da gestão condominial.

Agora retomado com novo vigor, o projeto transforma experiências reais em conhecimento compartilhado. Cada vivência, dificuldade, decisão, aprendizado ou superação pode ajudar outros profissionais, fortalecer boas práticas e ampliar o senso de pertencimento de toda a categoria.

Conte sua história. Valorize sua trajetória. Inspire outros síndicos com sua experiência.

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Luís Pardal

Luis Pardal é fundador da Inspiracom Multicomunicação e idealizador do Síndicos Planning. Atua na criação e articulação de projetos, conteúdo, formação, eventos e relacionamento institucional no mercado condominial e, desde 2022, coordena a Missão Brasileira Síndicos Planning a Portugal. Conheça sua trajetória completa em https://diretoriocondominial.com.br/luis-pardal/.

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